Formação das crianças: saiba a importância da Educação Infantil nesse processo


A formação das crianças inicia-se na Educação Infantil, em um processo colaborativo entre a escola e a família, que são as principais referências para o desenvolvimento humano.

Conforme a Base Nacional Comum Curricular, a Educação Infantil está delimitada em três faixas etárias:

  • Bebês (zero a 1 ano e 6 meses);
  • Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses);
  • Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses).

Saiba mais sobre a importância da Educação Infantil na formação das crianças lendo o post completo!

Qual é a responsabilidade da Educação Infantil na formação das crianças?

A Educação Infantil é a primeira etapa da formação das crianças, pois é início do contato delas com as experiências escolares que começam a estimular os aspectos psicológico, social, físico e intelectual, o que permite a construção de um desenvolvimento integral.

Essa etapa é o início e o fundamento do processo educacional, sendo vinculada à ideia de educar e cuidar, pois acolhe as vivências e os conhecimentos prévios das crianças – construídos na família e na sua comunidade – articulando-os às propostas pedagógicas.

As habilidades essenciais para a formação humana são construídas com a Educação Infantil, com educadores especialistas em conduzir as crianças a alcançar todo o seu potencial.

O objetivo é ampliar as experiências, os conhecimentos e as habilidades das crianças, a fim de diversificar e consolidar a aprendizagem obtida no ambiente familiar, proporcionando novas vivências.

A responsabilidade da escola é a formação das crianças como seres que observam, questionam, levantam hipóteses, concluem, fazem julgamentos, assimilam valores, constroem conhecimentos e se apropriam deles por meio da ação e das interações com o mundo físico e social.

Para proporcionar essas aprendizagens, os eixos estruturantes que conduzem os educadores em suas práticas pedagógicas são as interações e as brincadeiras, que caracterizam o cotidiano das crianças e por meio das quais elas se expressam e aprendem.

Também é de responsabilidade da Educação Infantil observar e acompanhar a evolução das crianças nessa trajetória, apoiá-las em suas dificuldades, garantir seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, proporcionar os campos de experiência e prepará-las para o Ensino Fundamental.

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Garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento

Os direitos de aprendizagem são definidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e é dever da escola garantir condições para que os alunos atuem no ambiente escolar resolvendo situações desafiadoras, aprendendo a agir e construindo significados sobre si, os outros e o mundo.

As experiências que a escola deve proporcionar para a formação das crianças são:

  1. Conviver: interação com crianças e adultos, utilizando diferentes linguagens para ampliar o conhecimento de si e do outro e promovendo o respeito em relação às diferenças entre as pessoas.
  2. Brincar: vivenciar diferentes atividades lúdicas, com crianças e adultos, para ampliar seus conhecimentos, imaginação, criatividade e movimentos corporais, bem como entrar em contato com experiências sensoriais, emocionais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.
  3. Participar: participar ativamente de todo o processo educativo, da gestão, das atividades e da escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, a fim de que as crianças desenvolvam diferentes linguagens, elaborem conhecimentos, tomem decisões e se posicionem.
  4. Explorar: ampliar seus conhecimentos sobre a cultura explorando movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza.
  5. Expressar: utilizar diferentes linguagens para se expressar sobre suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, como sujeito dialógico, criativo e sensível.
  6. Conhecer-se: construir sua identidade pessoal, social e cultural, com uma imagem positiva de si e dos grupos a que pertence, com base nas diversas experiências do cotidiano na escola, na família e na comunidade.

Proporcionar campos de experiência

Os direitos de aprendizagem e desenvolvimento ocorrem nos campos de experiência e é com base nos eixos estruturantes de interações e brincadeiras que a Educação Infantil tem a responsabilidade de proporcionar a formação das crianças.

A BNCC definiu 5 campos de experiência, que constituem um arranjo curricular para acolher as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus conhecimentos, integrando-os aos saberes essenciais da humanidade.

  1. O eu, o outro e o nós: na interação com seus semelhantes, as crianças constroem a própria identidade e percebem o outro, diferenciando-se dele, mas convivendo no meio do grupo e compreendendo a noção do “nós”.
  2. Corpo, gestos e movimentos: ao explorar o ambiente e os objetos utilizando as funções corporais, as crianças estabelecem relações, expressam-se, brincam e aprendem.
  3. Traços, sons, cores e formas: apreciar diferentes manifestações artísticas permite às crianças vivenciarem diferentes formas de expressão e linguagem, o que desenvolve os sensos crítico e estético.
  4. Escuta, fala, pensamento e imaginação: experiências que envolvem essas habilidades permitem a inserção das crianças na cultura linguística para que elas a utilizem socialmente.
  5. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações.

Preparar as crianças para o Ensino Fundamental

A Educação Infantil precisa garantir a formação das crianças com todos os elementos que envolvem os eixos estruturantes, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento e os campos de experiência.

Dessa forma, elas estarão aptas a realizar a transição para a próxima etapa da educação, o Ensino Fundamental, que consolidará e ampliará seus conhecimentos e suas habilidades.

A ideia é que as crianças se adaptem à nova fase com base no que já sabem, para dar continuidade ao processo de aprendizagem, respeitando suas singularidades.

Ao final da Educação Infantil, espera-se que as crianças tenham aprendido o essencial para dar continuidade à sua formação, segundo a síntese das aprendizagens esperadas em cada campo de experiência (BNCC, 2018, p. 53-55):

O eu, o outro e o nós

  • Respeitar e expressar sentimentos e emoções.
  • Atuar em grupo e demonstrar interesse em construir novas relações, respeitando a diversidade e solidarizando-se com os outros.
  • Conhecer e respeitar regras de convívio social, manifestando respeito pelo outro.

Corpo, gestos e movimentos

  • Reconhecer a importância de ações e situações do cotidiano que contribuem para o cuidado de sua saúde e a manutenção de ambientes saudáveis.
  • Apresentar autonomia nas práticas de higiene, alimentação, vestir-se e no cuidado com seu bem-estar, valorizando o próprio corpo.
  • Utilizar o corpo intencionalmente (com criatividade, controle e adequação) como instrumento de interação com o outro e com o meio.
  • Coordenar suas habilidades manuais.

Traços, sons, cores e formas

  • Discriminar os diferentes tipos de sons e ritmos e interagir com a música, percebendo-a como forma de expressão individual e coletiva.
  • Expressar-se por meio das artes visuais utilizando diferentes materiais.
  • Relacionar-se com o outro empregando gestos, palavras, brincadeiras, jogos, imitações, observações e expressão corporal.

Escuta, fala, pensamento e imaginação

  • Expressar ideias, desejos e sentimentos em distintas situações de interação, por diferentes meios.
  • Argumentar e relatar fatos oralmente, em sequência temporal e causal, organizando e adequando sua fala ao contexto em que é produzida.
  • Ouvir, compreender, contar, recontar e criar narrativas.
  • Conhecer diferentes gêneros e portadores textuais, demonstrando compreensão da função social da escrita e reconhecendo a leitura como fonte de prazer e informação.

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

  • Identificar, nomear adequadamente e comparar as propriedades dos objetos, estabelecendo relações entre eles.
  • Interagir com o meio ambiente e com fenômenos naturais ou artificiais, demonstrando curiosidade e cuidado em relação a eles.
  • Utilizar vocabulário relativo às noções de grandeza (maior, menor, igual etc.), espaço (dentro e fora) e medidas (comprido, curto, grosso, fino) como meio de comunicação de suas experiências.
  • Utilizar unidades de medida (dia e noite; dias, semanas, meses e ano) e noções de tempo (presente, passado e futuro; antes, agora e depois), para responder a necessidades e questões do cotidiano.
  • Identificar e registrar quantidades por meio de diferentes formas de representação (contagens, desenhos, símbolos, escrita de números, organização de gráficos básicos etc.).

Tendo adquirido essas habilidades na Educação Infantil, as crianças conseguem fazer a transição para o Ensino Fundamental mais preparadas e poderão prosseguir com suas aprendizagens com maior facilidade.

Formação das crianças: saiba a importância da Educação Infantil nesse processo

Qual o principal objetivo da Educação Infantil?

O principal objetivo da Educação Infantil é a formação das crianças como sujeitos históricos e de direitos, que constroem suas identidades pessoal e coletiva, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivenciam.

Ao passo que elas brincam, imaginam, fantasiam, desejam, aprendem, observam, experimentam, narram, questionam e constroem sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzem cultura.

Para tanto, o trabalho do educador é refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças.

Qual a importância da educação infantil para o processo de socialização e formação das crianças?

Ao ingressar na Educação Infantil, as crianças vivenciam a primeira separação dos pais e passam a conviver com diferentes crianças e adultos em um ambiente novo, ampliando suas experiências sociais.

Para a formação das crianças integralmente, é essencial um convívio social além do núcleo familiar, desse modo, elas aprendem a se relacionar e a viver em sociedade, desenvolvendo habilidades fundamentais à formação humana.

Ao desenvolver uma socialização estruturada, as crianças aprendem a construir significados sobre si, os outros e o mundo – é no contato com os outros e com o mundo que sabemos quem somos.

Além disso, ao conviver socialmente no ambiente escolar, elas aprendem a respeitar as diferenças entre as pessoas e culturas, bem como práticas de cidadania, essenciais para a formação integral.

Todos os direitos de aprendizagem e desenvolvimento, bem como os eixos estruturantes e campos de experiência, proporcionam a socialização das crianças, pois é no contato com outras pessoas, nas trocas e nas interações que a aprendizagem acontece.

O campo de experiência “O eu, o outro e o nós” define a importância da Educação Infantil para o processo de socialização das crianças (BNCC, 2018, p. 40):

“É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista.

Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando-se como seres individuais e sociais.

Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio.

Por sua vez, na Educação Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças entrem em contato com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes, celebrações e narrativas.

Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizar sua identidade, respeitar os outros e reconhecer as diferenças que nos constituem como seres humanos”.

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