Saiba quais são as dificuldades de socialização das crianças na pós-pandemia


O coronavírus fez o mundo se reinventar e essas mudanças drásticas afetaram também o espaço escolar. Na fase pós-pandemia, depois de praticamente dois anos de ensino remoto, são inúmeros os desafios na retomada das atividades presenciais em sala de aula. Sobretudo quando falamos das crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, as dificuldades de socialização tornaram-se obstáculos que precisam ser muito bem trabalhados pelos professores em parceria com as famílias.

O isolamento social evidenciou, principalmente nos primeiros anos da educação básica, estudantes menos dispostos, mais dispersos, inseguros para se relacionar com os colegas e até mesmo incapazes de amarrar os tênis. Isso sem mencionar as dificuldades para escrever e outras situações que comprometem a aprendizagem.

Na prática, o aspecto socioemocional de crianças e adolescentes ficou bastante abalado. A covid-19 semeou incertezas, trouxe perdas e deixou um sentimento de angústia no ar. Os adolescentes, diante dos dilemas típicos da vida adulta, também ficaram mais receosos. Além das cobranças naturais diante das decisões sobre uma futura carreira e a universidade, há ainda a implementação do Novo Ensino Médio, a busca pelo equilíbrio entre a “vida ao vivo” e os inúmeros atrativos do mundo digital, entre outras questões.

Para encontrar o ponto de equilíbrio, será necessária uma união de esforços de todos os agentes envolvidos, no caso, profissionais da educação, estudantes, pais, responsáveis e demais familiares, para que seja possível garantir o êxito do processo de ensino e aprendizagem, além do pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Confira nesse post quais as são as dificuldades de socialização na pós-pandemia e como a escola pode lidar para minimizar esses desafios!

Vamos lá?

Quais são as dificuldades de socialização na fase pós-pandemia nas escolas?

O estudo Avaliação do Futuro, levantamento realizado em 2022 pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e o Instituto Ayrton Senna, revela que dois em cada três estudantes, do 5.º e 9.º ano do Ensino Fundamental e da 3.ª série do Ensino Médio na rede estadual paulista, relataram sintomas de depressão e ansiedade. Na prática, 70% dos alunos do maior estado brasileiro.

A Avaliação do Futuro, desenvolvida com 642 mil alunos no âmbito do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), tem o objetivo de traçar os impactos da pandemia na saúde mental e nas questões socioemocionais dos estudantes. O levantamento revela ainda que um em cada três participantes apresenta dificuldades para se concentrar no que é proposto em sala de aula. Os dados vão além: 18,8% contaram se sentir esgotados e sob pressão. Dos entrevistados, 18,1% comentaram que perdem o sono por conta das preocupações e 13,6% disseram que perderam a autoconfiança.

Para reforçar a importância dos cuidados com os aspectos socioemocionais na retomada das aulas presenciais na fase pós-pandemia, vale a pena observar o resultado de uma pesquisa quantitativa da Mind Lab realizada no início deste mesmo ano. A empresa, que se destaca pela pesquisa e pelo desenvolvimento de tecnologias educacionais inovadoras para o desenvolvimento de habilidades e competências cognitivas, sociais, emocionais e éticas em vários países, reuniu 985 educadores e educadoras de 412 unidades escolares.

Para 42% dos entrevistados, que atuam tanto nas escolas públicas quanto nas privadas, os problemas emocionais dos alunos foram a maior dificuldade enfrentada. Em segundo lugar, vêm as deficiências estruturais das escolas (22%) e, em terceiro, as dificuldades emocionais dos docentes (18%).

Por essas e outras razões, crianças e adolescentes exigem uma atenção maior das escolas e famílias nesta fase pós-pandemia. Isso inclui, entre outras questões, a adoção de estratégias de acolhimento, de empatia e de cuidado especial à qualidade das relações socioemocionais entre todos os agentes envolvidos no processo.

Sem um olhar atento a esses pontos, fica mais complexo pensar em soluções para recompor o ensino e fortalecer a aprendizagem. Com a adoção de medidas voltadas às questões socioemocionais, as demais etapas serão mais efetivas.

O desejo de todos, neste momento, é o de recuperar a vontade de aprender, de participar e de interagir cada vez mais no ambiente escolar, além de não encarar como um problema a retomada das atividades presenciais. Superar essas barreiras é um dos desafios mais urgentes da fase pós-pandemia.

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Como a escola pode lidar e minimizar essa dificuldade?

A pesquisa “Desafios e perspectivas da educação: uma visão dos professores durante a pandemia”, realizada pelo Instituto Península, em 2021, revela que, para 57% dos professores, o maior desafio na volta às aulas presenciais é a recuperação da aprendizagem dos estudantes. De fato, é essencial que gestores escolares e secretarias de ensino busquem iniciativas diferenciadas para atingir esse objetivo.

Para colocar a aprendizagem nos eixos, medidas como a avaliação diagnóstica e a flexibilização dos currículos têm sido assuntos recorrentes entre os educadores. Trata-se de uma reconstrução, não apenas do ponto de vista pedagógico, mas também do emocional.

Aos professores, devido ao período de ensino remoto, será exigido muito conhecimento e trabalho técnico para suprir as demandas deste momento. Afinal, o desafio é identificar os conteúdos e as atividades que não foram consolidadas na fase da pandemia, além de dar conta do planejamento atual e do seu pleno fechamento até o fim do ano. Isso sem falar nas inúmeras questões socioemocionais.

Mais do que nunca, é essencial implementar projetos focados em metodologias ativas de aprendizagem, como a sala de aula invertida, por exemplo, para gerar mais engajamento e interesse dos alunos pelo ambiente escolar. Nesse processo, a formação continuada dos professores é pré-requisito fundamental.

Após todas as novidades oriundas do ensino remoto, com a possibilidade de adoção, inclusive, do formato híbrido, o professor terá que ser sagaz para lidar com diferentes níveis de conhecimento dos estudantes. O trabalho será intenso para compreender e mapear essa realidade nas diferentes turmas.

É imprescindível às escolas dedicar atenção total à reorganização do tempo escolar e ao processo de reintegração de crianças e adolescentes. É válido destacar que ferramentas como a avaliação diagnóstica devem revelar turmas bastante heterogêneas, ou seja, com diferentes níveis de aprendizagem.

Por isso, o processo da reintegração será fundamental para agrupar os alunos de acordo com uma escala prévia de conhecimentos. Na prática, para recompor a aprendizagem dos alunos, os profissionais da educação precisam, impreterivelmente, se munir de bons diagnósticos e priorizar as habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Tudo isso sem jamais perder o foco na formação continuada das equipes, incluindo potencialmente professores e gestores.

O que isso significa? Essas habilidades prioritárias são os conhecimentos fundamentais para o total desenvolvimento das competências. É preciso que não exista defasagem entre as diferentes etapas da educação básica. Um exemplo: algumas habilidades programadas para que um aluno do 2.º ano do Ensino Fundamental atinja o pleno desenvolvimento serão de suma importância para o processo de aprendizagem no 3.º ano.

Diante desse quadro, é essencial mapear as habilidades adquiridas pelos estudantes e identificar quais não podem deixar de ser construídas, a fim de não prejudicar o aprendizado no ano seguinte. Fora isso, é preciso adotar estratégias que garantam ainda o fortalecimento do vínculo de crianças e adolescentes com o espaço escolar.

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Qual é o impacto das dificuldades de socialização no aprendizado dos alunos?

É fato que a pandemia trouxe muitos desafios às rotinas nas escolas. Uma pesquisa desenvolvida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Fundação Lemann e o Itaú Social, em 2021, revela que 51% dos pais e responsáveis por estudantes da 1.ª à 3.ª série do Ensino Fundamental em todas as regiões do país acham que as crianças não saíram do mesmo estágio de aprendizado.

Diante desse cenário, é essencial que a escola atue para identificar o que é transtorno específico de aprendizagem (TEAp), um problema do neurodesenvolvimento que acaba influenciando a capacidade do cérebro de perceber ou processar as informações, e o que é dificuldade de aprendizagem, ou seja, uma situação reversível provocada por influências externas (questões emocionais, problemas familiares, alimentação inadequada, ambiente desfavorável e a atual situação de incerteza mundial provocada pela pandemia).

Como os estudantes foram fortemente impactados pelo isolamento social, é necessário ter muito cuidado e observação para distinguir o que é transtorno ou apenas uma dificuldade que pode ser mais facilmente sanada. Por isso, deve haver um esforço coletivo de todos os profissionais da educação para superar esses obstáculos.

Entre os transtornos de aprendizagem, destacam-se:

  • Dislexia: dificuldade para identificar palavras, decodificar frases e ler.
  • Distorgrafia: limitação que afeta a construção da ortografia e da caligrafia.
  • Discalculia: problemas para compreender conceitos a números, símbolos ou funções necessárias para a matemática.

Devido à pandemia, alguns desses problemas podem ter passado despercebidos pelos professores e pelas próprias famílias. No entanto, devem entrar em pauta outras questões e fenômenos típicos desse momento de ensino remoto.

As aulas online fizeram surgir a chamada “fadiga do zoom” que, em outras palavras, significa o aumento do esforço auditivo para compensar a baixa qualidade de imagem ou áudio e até mesmo a falta de sincronia entre ambas. Soma-se a isso o fato que a escuta, como apontam inúmeros estudos, torna-se mais complexa em ambientes repletos de outros estímulos ou com fundo ruidoso.

Ainda em termos de desenvolvimento da linguagem, apesar de necessária, a máscara de proteção atrapalha a percepção da fala. É outro elemento que exige adequações dos professores para garantir o êxito das atividades sem deixar de garantir a proteção de todos.

A falta de acesso às expressões faciais também não deixa de ser um problema. Afinal, no processo de desenvolvimento, essa percepção faz toda a diferença. A troca entre pares, importantíssima para fortalecer a conversação, a interação, entre outras habilidades, também foi prejudicada na fase pandêmica.

Além de reconhecer os déficits de aprendizagem e outras dificuldades, é fundamental que as escolas priorizem e fortaleçam as habilidades sociais e de conversação. É preciso um equilíbrio entre a comunicação assíncrona e por meio de telas para que isso não comprometa o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes.

Por isso, para ter um diagnóstico preciso de problemas de aprendizagem, é essencial ter todo esse contexto bem mapeado e com medidas resolutivas bem estipuladas para superá-los. Outro ponto importante é que a pandemia trouxe muito medo para o dia a dia dos alunos.

Além do isolamento social, o sentimento de possíveis perdas por conta do coronavírus e as incertezas sobre o futuro também se tornaram obstáculos ao bom desenvolvimento do processo de aprendizagem. É preciso estímulo e muito empenho para superar todos esses desafios.

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