Retorno das aulas pós-pandemia: Confira 10 ações para organizar a escola

As suspensões das aulas devido à necessidade de isolamento social para o combate ao COVID-19 trouxeram uma sobrecarga para os gestores educacionais não só no tocante à condução das aulas remotas, mas também a como organizar e preparar a escola para o retorno das aulas.

Além da resolução de problemas, como gestão de crise, tomada de decisão e atendimento da comunidade escolar, diretores e coordenadores também precisam se envolver no novo processo que será demandando para dar mais segurança a toda a equipe.

Mesmo um cenário de tanta volatilidade e mudança rápida de decisões não nos desobriga de ter um plano de ações. Sair fazendo coisas sem minimamente pensar, refletir e pactuar com o máximo possível de representantes da comunidade escolar é atropelar as pessoas e os processos.

É verdade que a mudança promovida pelo novo Coronavírus foi abrupta, não permitindo que as escolas tivessem tempo para fazê-la com planejamento. Contudo, precisamos planejar a volta, a fim de que o transtorno não seja ainda maior.

Visando auxiliar os gestores nesse planejamento, conversamos com Renato Casagrande, especialista em liderança educacional, pesquisador e consultor em Educação e Gestão, que trouxe orientações gerais que cada gestor pode adaptar à sua realidade. Apesar de nem todas essas dicas se aplicarem a todas as instituições de ensino, elas são pontos de reflexão que podem colaborar muito com um retorno mais eficiente e tranquilo das aulas.

Dicas para preparar o retorno das aulas após a quarentena

1. Elaborar cronograma de reposição

O primeiro passo é construir um cronograma de reposição, definindo pelo menos uma data estimada de retorno das aulas. Embora a liberação de retorno das atividades escolares presenciais ainda não tenha uma previsão segura e global, é importante ter uma data para organizar não somente as aulas a distância, como direcionar as ações necessárias para a retomada das atividades na escola, sobre as quais discutiremos a seguir.

Converse com as autoridades municipais e, se for o caso, estaduais, para conseguir estimativas de liberação de retorno às aulas e comece a trabalhar com base nessas datas, mesmo que elas tenham que sofrer alterações posteriormente. Em períodos conturbados como o que vivenciamos, o replanejamento é uma prática comum, e precisamos nos habituar com ela.

2. Implementar gestão do ensino remoto

As aulas remotas estão acontecendo e demandam a gestão sobre elas. Se a sua escola ainda não está tendo esse controle, corra para adequar os registros de tudo o que está sendo feito. Elabore planilhas  para manter o planejamento, organização, direção e, principalmente, controle sobre:

  • Carga horária do que está sendo trabalhado.
  • Garantia de conteúdos.
  • Mapeamento geral e comparativo do que foi planejado, do que foi trabalhado e do que está ficando pendente.

Não deixe ainda de fazer o levantamento da real carga horária a ser reposta, considerando a carga horária contratada, levando em consideração o mínimo de 800 horas/ano.

Aproveite e confira o Webinário realizado com Renato Casagrande sobre “A gestão do ensino remoto: orientações para organização e controle das aulas”. Assista já! 🎥

3. Organizar a avaliação diagnóstica

Dentro da sala de aula, os alunos não possuem o mesmo desempenho de aprendizado, uns levam mais tempo para assimilar determinados conteúdos do que outros. Obviamente, isso também acontece no ensino não presencial, podendo ser ainda maior essas variações, por se tratar de um cenário completamente novo para todos e os estudantes terem diferentes oportunidades e níveis de acesso às aulas e aos materiais – alguns contando com o suporte dos pais, outros, não.

Portanto, é essencial que seja organizada uma avaliação diagnóstica a partir dos conteúdos previstos e ministrados durante o período de paralisação por meio de atividades remotas, que deverá ser aplicada no retorno das aulas. A ideia com isso é avaliar a efetividade do ensino remoto individualmente e identificar a defasagem de cada estudante durante o afastamento das salas de aula.

Confira neste post dicas essenciais de como fazer avaliações no ensino a distância.

A importância da Literatura na Educação Infantil

4. Elaborar plano de recuperação

Com base no levantamento de defasagem obtido por meio da avaliação diagnóstica mencionada no tópico anterior, a próxima etapa é a elaboração do plano de recuperação para os estudantes que apresentaram dificuldades com relação àquilo que foi previsto e esperado em termos de aprendizagem.

Esse plano de recuperação deve traçar ações para restabelecer novamente uma equiparação da turma. Uma dica aqui é aproveitar o material das aulas gravadas para recuperar essa defasagem. A escola pode também preparar um local e período, a fim de que os alunos com mais dificuldade possam realizar essa recuperação na própria instituição de ensino, algo semelhante à recuperação paralela a que sempre existiu.

5. Rever o planejamento anual para o retorno das aulas

Outra ação relevante é revisitar o planejamento do ano e começar a repensar as atividades previstas para o restante de 2020, principalmente as demandas extraclasse que seriam realizadas visando estabelecer quais delas poderão ser canceladas, quais serão modificadas e quais serão mantidas.

Sabemos que datas comemorativas, como festa junina, dia dos pais e desfile de 7 de setembro, são muito esperadas pelos alunos e suas famílias. Contudo, frente à situação que estamos vivendo, a proposta deve ser de enxugamento dessas atividades, para uma possível concentração na reposição de conteúdos e atividades essenciais.

O resultado desse planejamento será o calendário atualizado, lembrando que o Conselho Nacional de Educação deliberou recentemente flexibilizando a realização de 1 hora/aula a mais por dia ou ministrar aulas aos sábados e feriados.

6. Estruturar o plano de reposição

Tendo o novo calendário em mãos, com as datas definidas para realização das aulas, é chegado o momento de estruturar o plano de reposição propriamente dito, explicitando o que, como e quando vai ser feito, para recuperar possíveis conteúdos atrasados devido à quarentena.

Os conteúdos, e até mesmo algumas disciplinas, podem ser divididos em dois grupos:

  1. Os essenciais, fundamentais e indispensáveis (pré-requisitos para o próximo ano).
  2. Os secundários.

7. Organizar atividades complementares

A partir dessa divisão, os gestores e professores podem pensar na organização de atividades extras para trabalhar os conteúdos considerados secundários, aqueles não essenciais neste momento e que podem ser trabalhados de forma diferenciada por meio de projetos, atividades remotas, pesquisas diversas, entre outros.

Para otimizar o tempo, essas atividades podem ser construídas combinando mais de uma disciplina ou tema, para que sejam trabalhados de maneira interdisciplinar, usando o contraturno dos alunos na escola ou sendo realizados em casa. Os conteúdos entendidos como essenciais devem ser trabalhados em sala de maneira “tradicional”, pois são aqueles com maior impacto no aprendizado futuro das crianças e com os quais os familiares e responsáveis mais se preocupam.

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8. Definir estratégias de reposição

Mais do que trabalhar o conteúdo, é preciso pensar e definir estratégias de reposição com relação a tempo (carga horária e dia letivo), espaço físico e alocação de recursos. É um verdadeiro jogo de quebra-cabeça, mas que será fundamental para a eficiência das aulas de reposição. Alguns questionamentos que podem ajudar os gestores a encontrar soluções são:

  • Como poderá ser feita a reposição?
  • A escola tem espaço físico adequado para garantir o distanciamento dos alunos?
  • Quais atividades poderão ser feitas no contraturno ou em hora complementar?
  • Podemos ter atividades nos fins de semana?

9. Preparar medidas de saneamento para o retorno das aulas

Como bem sabemos, assim que os alunos atravessam o portão da escola, tudo o que acontece com eles é responsabilidade da instituição de ensino. E não é mistério para ninguém que o cenário pós-pandemia será ainda mais sensível.

Assim, os gestores têm que preparar o ambiente escolar, seguindo todas as medidas de saneamento recomendadas pelos órgãos oficiais da saúde, especialmente com a disponibilização dos materiais recomendados, como álcool gel e máscaras.

Além disso, de nada adianta possuir os aparatos de segurança e higiene se os funcionários não souberem utilizá-los. Portanto, sugere-se elaborar e desenvolver um plano de capacitação para toda equipe da escola com relação aos procedimentos e protocolos recomendados para o COVID-19.

Vale ressaltar ainda a prudência de já preparar um plano alternativo para o cenário com o retorno às aulas parcialmente, ou seja, com escalas por turma ou por alunos, segundo possíveis e plausíveis medidas estipuladas pelas autoridades governamentais.

10. Montar o plano de comunicação para o retorno das aulas

Nesse ponto, a sua escola já tem todo o conteúdo, as atividades complementares, o calendário e as reposições devidamente replanejados para o retorno das aulas. O último passo é, então, comunicar essas ações e programações, de maneira objetiva, clara e transparente para toda a comunidade escolar.

Ao montar o plano de comunicação sobre o COVID-19, observe os seguintes aspectos:

  1. Oriente pais, alunos, funcionários e professores sobre procedimentos, protocolos e possíveis consequências da pandemia que vivemos.
  2. Desenvolva campanhas de comunicação a serem implantadas nas redes sociais (posts, vídeos, infográficos, animações) e na escola (cartazes e orientações gerais) com relação aos procedimentos a serem adotados e seguidos por todos.
  3. Adote linguagem e conteúdo motivadores, estimulantes e que passem confiança a toda a comunidade escolar, ajudando-a na conscientização e motivação de todos para o enfrentamento da crise.

 

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