Luto na escola – Como trabalhar em sala de aula?


Falar sobre a morte costuma ser uma tarefa delicada, de modo que muitas pessoas preferem não tocar nesse assunto, principalmente, com crianças e adolescentes. No entanto, a perda de familiares, amigos e até animais de estimação é uma experiência que pode acontecer eventualmente. Então, como trabalhar o luto na escola e na sala de aula?

Diante disso, trabalhar o luto na escola pode ajudar os alunos que vivenciaram, ou que ainda vivenciarão essa experiência, a lidar com o sofrimento causado pela perda e a entender melhor a morte.

O luto é uma resposta normal e esperada quando uma pessoa se depara com a morte, devido à falta de alguém importante em sua vida.

Essa perda pode desestabilizar a vida da pessoa e afetar aspectos emocionais, físicos, cognitivos e sociais, pois ela precisará se adaptar à nova realidade, se reorganizar e se reconstruir diante do rompimento do vínculo perdido.

Trata-se de um processo subjetivo, em que cada pessoa lida de uma forma particular e é afetada em graus diferentes. Algumas conseguem superar mais rápido, enquanto outras podem precisar de ajuda profissional, por exemplo.

O luto não se refere somente à morte, mas a todo tipo de perda, como a separação dos pais, uma mudança de cidade ou de escola, quando um amigo vai embora para outro lugar e o contato é perdido, entre outros.

A volta às aulas presenciais, após a pandemia, também poderá trazer consigo esse desafio, visto que muitos alunos podem ter perdido familiares e pessoas próximas, vítimas da covid-19.

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Como trabalhar o luto na escola?

Trabalhar o luto na escola é muito importante, pois as crianças ainda não compreendem muito bem a morte e outras perdas, e falar sobre o assunto é a melhor maneira para ajudá-las. Os adolescentes podem ter um entendimento melhor, mas também precisam discutir a respeito.

A escola é um ambiente onde deve ser trabalhado esse assunto, a fim de proporcionar aos alunos o desenvolvimento de habilidades para o enfrentamento do luto, conforme as competências da BNCC apontam:

  • Autoconhecimento e autocuidado: conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas;
  • Empatia e cooperação: exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, suas identidades, suas culturas e suas potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza;
  • Responsabilidade e cidadania: agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

A primeira atitude a ser considerada é o acolhimento, pois o aluno que está vivenciando o luto pode apresentar comportamentos característicos e esperados deste processo, como:

  • tristeza;
  • raiva;
  • culpa;
  • fadiga;
  • ansiedade;
  • solidão;
  • fraqueza;
  • déficit na memória;
  • alteração no apetite;
  • isolamento;
  • sentimento de não merecimento daquela dor;
  • dificuldade de assistir às aulas e fazer as atividades.

A partir do momento em que a escola sabe que o aluno está vivenciando o luto, pode fazer intervenções de acolhimento e escuta, e convidá-lo para conversar e expressar seus sentimentos.

Esse tipo de experiência afeta as relações sociais e as atividades cotidianas, como as atividades escolares. Para lidar de forma positiva com isso, é preciso desenvolver uma cultura de solidariedade na escola, pois é na relação com os outros que a criança se humaniza.

luto na escola

Como falar sobre morte na sala de aula?

Crianças e adolescentes ainda não têm um entendimento consolidado sobre a morte e as perdas da vida, possuem muitas dúvidas e encontram barreiras para perguntar e entender melhor o tema.

Desse modo, o assunto deve ser discutido em sala de aula para que os alunos tenham a oportunidade de trocar opiniões com os colegas, encontrar apoio para encarar o sofrimento e receber um referencial externo sobre o tema.

O comportamento das pessoas ao redor influencia na forma como a criança entende a morte e como irá lidar com a perda. Se os pais ou familiares estiverem reagindo mal, por exemplo, a tendência é que ela também apresente dificuldade.

A criança aprende com o adulto a lidar com as perdas, pois o tem como referencial. Por isso, uma intervenção adequada pode ajudar no enfrentamento do luto e no restabelecimento das condições emocionais.

Em situações de vulnerabilidade emocional, como é o caso do luto, a criança pode encontrar no professor um interlocutor que a ampare e a ajude a lidar com a perda e se restabeleça para dar continuidade à vida na escola e nas demais esferas.

Mesmo que nenhum aluno esteja passando pelo luto, falar sobre a morte é importante para ensiná-los e prepará-los para quando essa experiência surgir. É uma forma de prevenção, pois mostra que a escola é um ambiente aberto para falar sobre o assunto quando precisar.

É possível utilizar uma aula para explicar que a morte faz parte do ciclo vital de todos os seres, assim como as perdas, e que todos passam por tal experiência, sendo possível superá-la, desde que se fale a respeito.

Nesse contexto, o educador pode ter o papel de cuidador na escola e complementar o papel da família. Devido ao convívio diário, os professores conhecem os alunos e podem reconhecer quando alguém está precisando de ajuda, tornando-se uma referência de amparo ao aluno no momento de sofrimento.

Mas a questão é: os educadores estão preparados para assumir esse papel? Os professores precisam ter conhecimento de como funciona o processo de luto e da melhor forma de abordar o tema em sala de aula.

Vale a pena promover um estudo sobre o luto para a equipe escolar, a fim de que os professores encontrem meios de abordar o assunto com os alunos na sala de aula. Para isso, podem ser realizadas palestras, workshops, cursos ou estudos em grupo.

luto na escola

Confira algumas dicas para abordar de modo assertivo o luto e as perdas:

Luto na escola: Fale a verdade

É muito comum que os adultos mintam para a criança a respeito da morte ou de alguma perda significativa, porque acreditam que ela não está pronta para tal informação ou com a intenção de não a traumatizar.

Entretanto, a verdade é a melhor forma de abordar o assunto, principalmente para ela entender que aquela perda é definitiva e não temporária, o que evita que se crie expectativas irreais.

Quando a criança espera que a pessoa um dia volte, que determinada experiência torne a acontecer ou quando descobre a verdade, surge a frustração e a perda de confiança no adulto que mentiu, o que pode piorar a situação.

Quanto antes a criança aprender sobre a morte e entender que as perdas acontecem, mais cedo ela aprenderá a lidar com tais situações e a encarar a realidade.

A verdade pode ser dita de uma forma gentil e acolhedora, ao abrir espaço para o diálogo e para as dúvidas da criança, mostrando-lhe que seus sentimentos têm importância.

Utilize recursos lúdicos para falar sobre luto na escola

Atividades lúdicas permitem aos professores que acessem os sentimentos dos alunos, pois, por meio das brincadeiras, muitas crianças costumam se expressar, tanto na fala quanto no comportamento.

Além disso, o recurso lúdico é uma forma de restabelecer as interações sociais da criança que se isolou devido à tristeza da perda de alguém e de promover o acolhimento e a abertura para falar sobre o assunto.

Essas atividades podem ser utilizadas tanto para ajudar um aluno que está em processo de luto quanto para abordar o tema com o intuito de informar e conscientizar.

Recorra a filmes e textos de apoio

Os filmes costumam abordar a morte e o luto de uma maneira assertiva e muito próxima da realidade, além de fazer com que os telespectadores se identifiquem com o que está sendo retratado.

Existem também filmes infantis que trabalham a temática de forma lúdica, o que ajuda as crianças a serem introduzidas no assunto e a aprenderem a reagir quando vivenciarem situação semelhante.

Textos e livros também são materiais importantes a serem trabalhados em sala de aula. Eles permitem o contato com o tema por meio da leitura e podem ser discutidos em aula com os professores e os colegas.

Promova rodas de conversa para falar sobre luto na escola

Rodas de conversa podem ser uma ferramenta pedagógica para promover o diálogo sobre diversos assuntos, visto que estimulam os alunos a compartilharem suas experiências, seus sentimentos e suas dúvidas.

Essa troca pode ajudar quem está passando pelo luto e tem dificuldade em entender e lidar com o sentimento de perda, pois permite perceber que todos podem enfrentar a mesma situação. A roda de conversa pode ser um momento de acolhimento e apoio mútuos.

Observe o aluno que está em processo de luto na escola

Todos que enfrentam o luto apresentam comportamentos característicos, e o professor pode perceber isso em sala de aula. Contudo, deve-se intervir sem constranger o aluno fragilizado emocionalmente.

Por isso, não se deve forçá-lo a falar sobre o assunto, mas é possível planejar ações que o estimule a participar e que o faça se sentir confortável e confiante. Dependendo do caso, pode ser uma atividade individual ou coletiva.

Organize trabalhos em equipe

Em um primeiro momento, pode ser que o professor não saiba como abordar o assunto em sala de aula ou lidar com um aluno em luto, por isso é importante que ele leve essa questão para a equipe pedagógica, para que juntos definam uma maneira assertiva de ajudar e trabalhar o tema.

Uma parceria com a família também pode ser positiva, pois ela também está vivenciando o luto e pode contribuir com a escola e os professores na criação de estratégias de enfrentamento.

A importância de trabalhar as habilidades socioemocionais

De acordo com a BNCC, trabalhar as competências socioemocionais na escola é uma maneira de proteger a saúde mental dos estudantes, pois elas abordam as emoções e os mecanismos de lidar com elas de forma assertiva.

As competências socioemocionais estão presentes em todas as 10 competências gerais da Base, de modo que todas as escolas devem contemplá-las em seus currículos e repassá-las aos seus alunos.

Desenvolver essas habilidades na escola é importante, pois permite aos alunos o entendimento e o manejo das emoções, com empatia e tomada de decisão responsável.

Para isso, é fundamental a promoção da educação socioemocional nas mais diferentes situações e contextos, a partir do desenvolvimento destas 5 competências:

  • Autoconsciência: envolve o conhecimento de cada pessoa, bem como de suas forças e limitações, sempre mantendo uma atitude otimista e voltada ao crescimento;
  • Autogestão: relaciona-se ao gerenciamento eficiente do estresse, ao controle de impulsos e à definição de metas;
  • Consciência social: necessita do exercício da empatia, do colocar-se “no lugar dos outros” respeitando a diversidade;
  • Habilidades de relacionamento: ouvir com empatia, falar objetivamente, cooperar com os demais, resistir à pressão social inadequada (ao bullying, por exemplo), solucionar conflitos de modo construtivo e respeitoso, bem como auxiliar o outro quando for o caso;
  • Tomada de decisão responsável: preconiza as escolhas pessoais e as interações sociais de acordo com as normas, os cuidados com a segurança e os padrões éticos de uma sociedade.

 

Confira nosso encontro realizado com o Dr. Augusto Cury sobre a Educação Socioemocional:

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