Pré-Vestibular

A redação do Enem é muito importante para o resultado geral do exame, ela possui um peso expressivo na composição da nota final, cuja pontuação máxima é de 1.000 pontos.

Essa nota é somada às notas alcançadas em cada uma das quatro áreas do conhecimento aferidas na prova objetiva, e o resultado final é definido com base na divisão dessa pontuação por cinco.

Sendo assim, é essencial compreender como funciona a prova de redação do Enem para se preparar e atender aos critérios de avaliação.

Confira as principais informações sobre a redação, apresentadas na Cartilha do Participante, disponibilizadas pelo Inep para auxiliar os estudantes.

Quais são as 5 competências avaliadas na redação do Enem?

A redação do Enem avalia os candidatos a partir de cinco competências, as quais devem estar presentes no texto produzido pelo estudante.

O intuito desses critérios de avaliação é tornar o processo de correção mais objetivo, afinal, um texto é composto por diferentes aspectos que se inter-relacionam para construir a textualidade.

Desse modo, cada competência é avaliada separadamente.

Além disso, estabelecer critérios de avaliação com base em competências definidas, ajuda os candidatos a se prepararem.

Conheça as cinco competências da redação do Enem, apresentadas na Cartilha do Participante (2023, p. 9-24):

1. Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa

Essa competência da redação do Enem, espera do candidato o uso da escrita formal, que inclui:

2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa

A segunda competência avaliada na redação do Enem é a estrutura textual, ou seja, o candidato deve produzir um texto dissertativo-argumentativo, no qual se demonstra a assertividade de uma ideia ou de um ponto de vista, por meio de argumentação.

Esse tipo textual é composto por introdução, desenvolvimento e conclusão. A partir de um tema, os estudantes precisam formular uma tese inicial, desenvolver argumentos que a sustentem e definir uma proposta de intervenção.

Para isso, o candidato precisa apresentar seu repertório sociocultural, utilizando seus conhecimentos sobre o tema proposto, para desenvolver ideias próprias e articulá-las ao texto.

Além disso, o participante precisa se manter na proposta da redação, ou seja, não fugir do tema e não abordá-lo de maneira parcial.

3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista

Essa competência da redação do Enem avalia a elaboração do seu projeto de texto, que expressa a inteligibilidade da sua dissertação, a partir dos seguintes elementos:

Desse modo, o candidato é avaliado a partir da forma como seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa do ponto de vista escolhido.

Portanto, o texto deve apresentar claramente a ideia a ser defendida e os argumentos que a justifiquem, em relação à temática da proposta de redação do Enem.

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação

A quarta competência avaliada na redação do Enem se refere a estruturação lógica e formal entre as partes da redação.

Portanto, a organização textual das frases e parágrafos devem estabelecer uma relação entre si para formar uma sequência coerente, bem como apresentar interdependência entre as ideias.

Os elementos que compõem essa competência, são:

5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos

A última competência avaliada na redação do Enem é a apresentação de uma proposta de intervenção para o problema abordado.

O candidato deve, então, expressar seu preparo para exercer a cidadania e atuar na realidade, considerando os Direitos Humanos.

A ideia é se posicionar de maneira crítica sobre o tema, a partir dos conhecimentos construídos ao longo da Educação Básica, para argumentar a favor de um ponto de vista para solucionar o problema.

Para elaborar uma proposta, as seguintes perguntas devem ser respondidas:

  1. O que é possível apresentar como solução para o problema?
  2. Quem deve executá-la?
  3. Como viabilizar essa solução?
  4. Qual efeito ela pode alcançar?
  5. Que outra informação pode ser acrescentada para detalhar a proposta?

Como funciona a avaliação da redação do Enem?

Conforme a Cartilha do Participante (2023, p. 4-8), a redação do Enem tem pontuação máxima de mil pontos, ou seja, cada uma das cinco competências avaliadas equivale a 200 pontos.

Existem seis níveis de desempenho para avaliar cada competência: 200, 160, 120, 80, 40 e 0.

Sendo assim, a nota final do participante será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos avaliadores.

O texto será avaliado por, pelo menos, dois professores graduados em Letras ou Linguística, de forma independente, ou seja, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro.

Discrepâncias são consideradas no processo de avaliação, ou seja, quando as notas atribuídas diferirem em mais de 100 pontos no total ou obtiverem diferença superior a 80 pontos em qualquer uma das competências.

Em caso de discrepância, a redação será avaliada, de forma independente, por um terceiro avaliador. A nota final será a média aritmética das duas notas totais que mais se aproximarem.

Se a discrepância continuar após a terceira avaliação, a redação do Enem será avaliada por uma banca composta por três professores, a qual atribuirá a nota final do participante.

Outro ponto importante da avaliação é a cópia de trechos retirados da proposta da prova de redação do Enem ou do caderno de questões.

Caso seja identificada, será desconsiderada em relação ao total de linhas escritas, valendo somente as que foram produzidas pelo participante.

Partes desconectadas do tema também são consideradas na avaliação, ou seja, quem escrever qualquer elemento que não esteja relacionado à proposta, terá a redação do Enem anulada.

Quanto ao título da redação, ele é opcional e não é avaliado em qualquer aspecto relacionado às competências da matriz de referência. Contudo, é considerado linha escrita e pode até anular sua prova caso seja inadequado.

Para avaliar candidatos portadores de alguma necessidade especial, como dislexia, espectro autista e deficiência auditiva, haverá critérios específicos.

Quais são as razões para zerar a redação?

Segundo a Cartilha do Participante (2023, p. 6), a redação receberá nota 0 (zero) se apresentar uma das características a seguir:

Como ter uma redação nota 1.000?

Uma redação do Enem nota 1.000 é aquela que cumpre todas as exigências relativas às cinco competências.

Para alcançar a pontuação máxima em seu texto, você deve se preparar considerando os seguintes elementos principais:

Outra dica importante, compartilhada na Cartilha do Participante (2023, p.48), é a leitura frequente e diversificada, afinal, ela colabora com a escrita em vários aspectos: amplia o vocabulário, diversifica o repertório sociocultural, permite enxergar outras possibilidades de construção da argumentação e expande a visão de mundo.

Exemplo de redação nota 1.000

Selecionamos como exemplo a redação do Enem a seguir, apresentada na Cartilha do Participante (2023, p. 26):

No Brasil, o Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 delibera a garantia da cidadania e da integridade da pessoa humana como fundamento para a instituição do Estado Democrático de Direito, no qual deve-se assegurar o bem-estar coletivo. No entanto, hodiernamente, não há o cumprimento efetivo dessa premissa para a totalidade dos cidadãos, haja vista os empecilhos no que tange à valorização de comunidades e povos tradicionais no país. Nesse viés, torna-se essencial analisar duas vertentes relacionadas à problemática: a inferiorização desses grupos bem como a perspectiva do mercado nacional.

Sob esse prisma, é primordial destacar a discriminação contra esses indivíduos no Brasil. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo canadense Erving Goffman, o estigma caracteriza-se por atributos profundamente depreciativos estabelecidos pelo meio social. Nesse contexto, observa-se a maneira como os povos tradicionais, a exemplo dos quilombolas e dos ciganos, sofrem a estigmatização na sociedade brasileira, pois são, muitas vezes, considerados sujeitos sem utilidade para o crescimento econômico do país, uma vez que as práticas de subsistência são comuns nessas comunidades. Dessa forma, ocorre a marginalização desses grupos, fato o qual os distancia da valorização no país.

Outrossim, é relevante ressaltar a perspectiva mercadológica brasileira como fator agravante dessa realidade. Nessa conjuntura, segundo a obra “O Capital”, escrita pelos filósofos economistas Karl Marx e Friedrich Engels, o capitalismo prioriza a lucratividade em detrimento de valores. Nesse cenário, diversas empresas, no Brasil, estruturadas em base capitalista, atuam a partir de mecanismos de financiamento e apoio às legislações que incentivam a exploração de territórios ambientais habitados por povos tradicionais, como a região amazônica, sem levar em consideração a defesa da sociobiodiversidade nessas comunidades. Desse modo, há a manutenção de ações as quais visam somente ao lucro no mercado corporativo e são coniventes com processos de apropriação bem como de desvalorização dos nichos sociais de populações tradicionais no país.

Portanto, são necessárias intervenções capazes de fomentar a valorização desses indivíduos na sociedade brasileira. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação promover a mudança das concepções discriminatórias contra as comunidades tradicionais, por meio da realização de palestras periódicas nas escolas, ministradas por sociólogos e antropólogos, as quais conscientizem os sujeitos acerca da importância desses povos para o país, a fim de minimizar o preconceito nesse âmbito. Além disso, é dever do Ministério da Economia impor sanções às empresas que explorem os territórios habitados por essas comunidades, com o intuito de desestimular tais ações. A partir dessas medidas, a desvalorização das populações tradicionais poderá ser superada no Brasil” (Nicole Carvalho Almeida).

Essa redação alcançou 1.000 pontos pelos seguintes elementos:

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