Mulheres nas Olimpíadas – A conquista do direito de competir

Hoje, a participação das mulheres nas Olimpíadas é algo bastante comum, mas nem sempre foi assim. Se atualmente elas estão presentes em todas as modalidades, é porque lutaram para que esse espaço fosse conquistado depois de muito tempo e esforço.

Os Jogos Olímpicos surgiram na Grécia antiga, na cidade de Olímpia, por volta de 776 a.C., e tinham por objetivo homenagear os deuses gregos e promover a interação entre os povos. Entretanto, as mulheres não podiam sequer assistir aos jogos.

Na Era Moderna, marcada pelos jogos em Atenas, no ano de 1896, as mulheres começaram a assistir às competições, mas ainda não podiam competir, pois, acreditava-se que elas não tinham preparo físico adequado.

Devido ao contato físico intenso que ocorre nos esportes e o excesso de esforço, acreditava-se que competir nos jogos poderia ser prejudicial à saúde das mulheres, de modo que foi estabelecida a proibição da participação delas nas Olimpíadas.

No Brasil, a participação feminina nos esportes também era proibida, conforme o Decreto-Lei n.º 3.199, de 14 de abril de 1941, que estabeleceu as bases de organização dos desportos em todo o país na época:

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país” (Art. 54).

Essa proibição dizia respeito principalmente à prática do futebol, por ser o esporte mais popular do Brasil e considerado agressivo e violento, mas se estendia a toda modalidade semelhante.

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Como as mulheres conquistaram o direito de competir?

As mulheres não aceitaram de braços cruzados a proibição de participação nas Olimpíadas e, ainda em 1896, um dia após a 1.ª Olimpíada da Era Moderna, houve um protesto.

A atleta Stamati Revithi correu o percurso da maratona, uma das modalidades mais tradicionais das Olimpíadas, no dia seguinte à corrida oficial dos homens, como forma de protesto para mostrar que mulheres também podiam participar dos Jogos Olímpicos.

Um tempo depois, nas Olimpíadas de 1900, em Paris, as mulheres puderam participar das competições, mas não ganhavam medalhas iguais aos homens, apenas um certificado de participação.

Nessa edição, 22 mulheres competiram nas modalidades do Golfe e do Tênis, pois o Comitê Olímpico Internacional considerou esses esportes mais adequados por não haver contato físico.

Desde então, os Jogos Olímpicos contam com a participação feminina, que ao longo de suas edições foram sendo incluídas em outras modalidades e conquistando seu espaço nesse importante evento mundial.

No Brasil, somente no ano de 1979 que o Decreto-Lei de 1941, que proibia as mulheres de praticarem esportes, foi revogado. Assim, apenas depois de 38 anos que as medalhas passaram a ser entregues às atletas brasileiras.

Elas conquistaram medalhas de ouro e prata no vôlei de praia, de prata no basquete e de bronze no voleibol, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Essa edição é considerada um marco para as atletas brasileiras, pois as medalhas representam a superação dos desafios que tiveram de enfrentar para poder ter o direito de competir, treinar e praticar outros esportes.

Foi somente em 2012, nas Olimpíadas de Londres, que pela primeira vez na história a participação feminina foi em todas as modalidades que os homens participaram, ou seja, somente após mais de um século que as mulheres conquistaram esse direito.

Essa também foi a primeira edição em que todos os países que participaram das Olimpíadas tiveram ao menos uma mulher em suas delegações. Até a Arábia Saudita, onde há muita restrição às mulheres, teve duas atletas competindo nos jogos.

Um marco histórico da participação feminina nos Jogos Olímpicos aconteceu em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, pois, dentre os 11 mil atletas participantes, 45% eram mulheres.

Além disso, nessa edição, outro marco importante é que alguns países tinham mais atletas mulheres em suas delegações do que homens, a exemplo os Estados Unidos da América.

A presença de atletas brasileiras também fez parte desse marco, pois, desde a primeira participação do Brasil nos Jogos Olímpicos, essa foi a edição com maior número de mulheres: foram 209 competidoras no total.

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Qual é a trajetória das mulheres nas Olimpíadas?

Como vimos, não foi nada fácil a conquista feminina para conseguir participar das competições nas Olimpíadas e muitas mulheres precisaram enfrentar preconceitos e protestar para que hoje fizessem parte do evento.

Conheça algumas dessas atletas que contribuíram para a conquista de um espaço nos Jogos Olímpicos e que marcaram a história representando as mulheres no esporte:

Mulheres nas Olimpíadas: Charlotte Cooper

Charlotte Reinagle Cooper (1870-1966) foi uma tenista britânica, que participou das Olimpíadas de Paris em 1900. Ela foi a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos.

Essa edição foi a primeira que permitiu a participação das mulheres na competição, o que marcou a presença feminina no evento, abrindo espaço para mais atletas posteriormente.

Larissa Latynina

Larisa Semyonovna Latynina (1934) é uma ex-ginasta artística, nascida na Ucrânia, mas que representava a União Soviética nos jogos. Ela participou das Olimpíadas de Melbourne (1956), de Roma (1960) e de Tóquio (1964).

É a mulher que mais conquistou medalhas na história dos Jogos Olímpicos. Foram 18 no total, sendo 9 de ouro. Seu recorde só foi superado em 2012, pelo nadador Michael Phelps.

Mulheres nas Olimpíadas: Aída dos Santos

Aída dos Santos (1937) é uma atleta brasileira, nascida no Rio de Janeiro, especialista em salto em altura. Ela foi a única mulher da delegação do Brasil nos Jogos de Tóquio, em 1964, e a única na modalidade de atletismo.

Mesmo sem uniforme, tênis adequado e técnico, ela conquistou o quarto lugar no salto em altura, um feito inédito na época. Além disso, ela foi a primeira mulher a disputar uma final Olímpica.

Sandra Pires e Jacqueline Silva

Sandra Pires Tavares (1973) e Jaqueline Louise Cruz Silva (1962) são ex-jogadoras de vôlei de praia brasileiras, nascidas no Rio de Janeiro. Elas participaram das Olimpíadas de Atlanta, em 1996.

Juntas, conquistaram o primeiro ouro feminino da modalidade nos Jogos Olímpicos, uma conquista que destacou a participação das mulheres no esporte, pois foi o ano em que o vôlei de praia estreou no evento.

Mulheres nas Olimpíadas: Enriqueta Basilio

Norma Enriqueta Basilio Sotelo (1948-2019) foi uma ex-atleta velocista mexicana, conhecida por ser a primeira mulher a acender a pira nas Olimpíadas, nos Jogos Olímpicos de Verão do México, em 1968.

Embora não tenha conquistado nenhuma medalha nessa edição, ela se tornou símbolo da igualdade de gênero no esporte ao participar da cerimônia de abertura acendendo a tocha olímpica.

Rafaela Silva

Rafaela Lopes Silva (1992) é uma atleta do Judô, nascida no Rio de Janeiro, que participou das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Ela foi a primeira atleta na história do judô brasileiro a alcançar o título de campeã mundial e olímpica.

Rafaela conquistou a medalha de ouro na modalidade ao derrotar Dorjsürengiin Sumiyaa, judoca mongol, que era líder do ranking mundial.

Quem foi a primeira mulher brasileira a participar das Olimpíadas?

A primeira vez que o Brasil participou das Olimpíadas foi no ano de 1920, nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, mas ainda não havia mulheres na delegação. Somente em 1932, no mesmo ano em que as mulheres conquistaram o direito ao voto no país, é que a participação feminina iniciou.

A primeira mulher brasileira a participar das Olimpíadas foi Maria Lenk, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932. Com apenas 17 anos, passou por cima do decreto de 1941, que só foi revogado em 1979, e competiu no evento.

Maria Emma Hulga Lenk Zigler (1915-2007) nasceu em São Paulo e é considerada a principal nadadora do Brasil. Mesmo não tendo ganhado medalhas olímpicas, é considerada pioneira da natação moderna.

Além disso, Maria foi a responsável pela introdução do nado borboleta, quando realizou esse nado nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, em Berlim, em uma prova de peito.

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Igualdade de gênero nas Olimpíadas

Como podemos ver, as mulheres tiveram muitas conquistas e medalhas nos Jogos Olímpicos. Mais do que isso, elas conquistaram seu espaço no esporte, porém essa luta também se estende a todas as esferas sociais.

As atletas femininas contribuíram muito para a igualdade de gênero, tanto que o compromisso do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a próxima Olimpíada, que ocorrerá em Tóquio após a pandemia, é que 48% dos competidores sejam mulheres.

“Trabalhar pela igualdade de gênero é uma das nossas principais metas”, afirmou o diretor-executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI), Christophe Dubi, em uma coletiva de imprensa na Argentina.

Entre as mudanças feitas pelo COI para as Olimpíadas de Tóquio, haverá competições mistas, ou seja, homens e mulheres estarão juntos em algumas modalidades, como o atletismo e o judô.

Para os Jogos de Paris, programados para acontecer em 2024, uma das recomendações de um projeto lançado pelo COI, em 2017, é que exista o mesmo número de vagas para homens e mulheres e a mesma quantidade de disputas por medalhas.

Todo esforço realizado pelas atletas femininas ao longo da história não foi em vão e a cada dia as mulheres conquistam mais espaço no esporte.

Com base nessas conquistas históricas, a jovem atleta do Judô, Eduarda Rosa, reconhece essa luta e diz:

“Como mulher, acho isso incrível. Batalhamos tanto quanto os homens, e perceber essa igualdade, ver que está aumentando o número de mulheres participantes de todos os esportes, me dá forças”.

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