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TRI: saiba tudo sobre a Teoria de Resposta ao Item usada para calcular a nota do Enem

  • SAE Digital
  • 2 semanas atrás
  • Atualizada em 03/10/2019
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Muitos alunos se perguntam no momento de estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como sua nota será calculada. Além dos estudantes, muitos professores e gestores pedagógicos também tentam compreender como esse cálculo é feito, ou seja, o que é a Teoria de Resposta ao Item (TRI). 

Diferente das avaliações que estamos acostumados, nas quais a nota final equivale à soma do número de questões corretas e seus pesos, no Enem isso não se aplica, pois com a TRI nem sempre candidatos que acertaram o mesmo número de questões terão a mesma nota. Isso acontece porque o cálculo da nota leva em conta outros fatores e não só o número de acertos. Mas como isso acontece?

Além dessas questões, muitas pessoas se perguntam: Por que não tem como tirar nota zero no Enem? Qual o peso de cada questão? Acertei todas as questões da prova, mas minha nota não foi 1000, por quê?

Pensando nessas dúvidas, vamos explicar nesse post tudo sobre a TRI e o método utilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para corrigir as provas do Enem. Quer saber tudo sobre esse método? Continue lendo este post e fique bem informado! 

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O que é a TRI? 

Como já vimos brevemente no início do post, a Teoria de Resposta ao Item é um método utilizado para calcular a nota do Enem. Nós também já vimos que esse cálculo foge do método tradicional, a Teoria Clássica dos Testes (TCT). Mas afinal, o que é a TRI?

A Teoria de Resposta ao Item é um método estatístico aplicado em provas e questionários das mais diferentes áreas, como econometria, psicometria e publicidade para avaliar de forma justa as habilidades e conhecimentos em testes de múltipla escolha como o Enem. 

No Enem, por exemplo, o cálculo da nota leva em conta muito mais do que o número de questões corretas e se fundamenta principalmente na “coerência das respostas do participante diante do conjunto das questões que formam a prova realizada” (INEP).

Dessa forma, como explica o Inep, a nota do participante é atribuída em uma escala criada especialmente para o Enem para medir a proficiência do estudante nas quatro áreas do conhecimento: Matemática e suas Tecnologias; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e suas Tecnologias. 

Ou seja, a TRI é um modelo matemático no qual cada questão é considerada um item, e que para o cálculo da nota é considerado “a consistência da resposta segundo o grau de dificuldade de cada questão” (INEP). 

Antes de vermos de fato como esse cálculo é feito, é importante sabermos que apesar de sua aplicação ainda ser discutida e gerar dúvidas no Brasil, esse método já é aplicado em vários testes no mundo inteiro, como no TOEFL e no GMAT, nos Estados Unidos; e no CITO, na Holanda. 

Quais são as vantagens desse método?

Vamos ver agora quais são as vantagens oferecidas pela TRI? Confira a lista que preparamos a seguir: 

  1. Pela TRI é possível avaliar a proficiência real do candidato em cada área do conhecimento;
  2. A TRI consegue assegurar, segundo a ONU, a priorização do uso de habilidades reflexivas e analíticas, deixando de lado a memorização de conteúdos;
  3. A TRI é baseada em modelos matemáticos que permitem a elaboração de avaliações com o mesmo grau de dificuldade;
  4. A TRI permite também uma comparação mais assertiva dos resultados ao longo do tempo. Mesmo que as provas possam “apresentar mínimos e máximos diferentes, seus resultados são comparáveis, pois eles são todos calculados na mesma escala construída a partir de uma única matriz de competências” (Inep).
  5. Com a TRI, os empates em seleções como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) são reduzidos, visto que as notas não representam o número de acertos, mas sim a proficiência do candidato. 

E aí, para você a Teoria de Resposta ao Item traz mais algum benefício? Conte para a gente!

Agora que você já viu o que é a TRI e alguns de seus benefícios, vamos entender melhor como se dá, na prática, o cálculo da nota dos alunos no Enem?

Como funciona o cálculo da nota no Enem?

Em algum momento, quando se discute a prova do Enem, você já deve ter ouvido alguém falando ou você já pode ter falado para um de seus alunos que na nota do Enem nem sempre se dá por “um mais um é igual a dois”, não é mesmo?

Essa é uma brincadeira realizada para mostrar que o cálculo dessa nota leva em conta outros critérios além do número de questões corretas, e é exatamente esse cálculo que vamos explicar para vocês a seguir.

Mas, para entender como funciona a nota do Enem, é preciso compreender que ela é composta de itens, parâmetros e uma escala de proficiência. Veja abaixo o que cada um deles significa.

Item 

É uma unidade essencial de um exame. No Enem um item é uma questão de múltipla escolha da prova e possui cinco opções de respostas. 

Parâmetros

São as informações essenciais para avaliar a qualidade do item. Para o Enem foram definidos três parâmetros: 

  • Discriminação
    “(…) é o poder de discriminação que cada questão possui para diferenciar os participantes que dominam dos participantes que não dominam a habilidade avaliada naquela questão (item).” (Inep)
  • Dificuldade
    “(…) associado à dificuldade da habilidade avaliada na questão, quanto maior seu valor, mais difícil é a questão. Ele é expresso na mesma escala da proficiência. Em uma prova de qualidade, devemos ter questões de diferentes níveis de dificuldade para avaliar adequadamente os participantes em todos os níveis de conhecimento.” (Inep)
  • Acerto casual
    “(…) em provas de múltipla escolha, um participante que não domina a habilidade avaliada em uma determinada questão da prova pode responder corretamente a esse item por acerto casual. Assim, esse parâmetro representa a probabilidade de um participante acertar a questão não dominando a habilidade exigida.” (Inep)

Escala de proficiência

Você já viu acima o que é um item e quais são os parâmetros utilizados no Enem. Agora vamos te explicar mais sobre a escala de proficiência. 

Essa escala foi criada pelo Inep para mensurar a proficiência dos candidatos do Enem a partir de uma análise de perfil das respostas do estudante ao conjunto de 45 questões de cada uma das quatro áreas de conhecimento avaliadas na prova. 

Desse modo, para cada área do conhecimento o Inep criou uma escala com base na prova de 2009 do Enem. Para verificar o desempenho do estudante temos quatro escalas e quatro notas que dependem de dois valores:

  • Valor de posição ou de referência
    Para este valor foi atribuído atribuiu o valor 500, que, segundo o Inep, representa o desempenho médio dos concluintes do Ensino Médio da rede pública de 2009 que realizaram o exame naquele mesmo ano.
  • Valor de dispersão
    Para este valor, mais conhecido como desvio padrão, foi atribuído o valor 100, que representa, segundo o Inep, uma medida de variabilidade média das notas dos concluintes de 2009 em relação ao desempenho médio 500.

A partir desses conceitos podemos concluir que a escala de proficiência representa a nota do participante, que pode ser interpretada pedagogicamente. Por exemplo, se usarmos os dois tipos de valores apresentados pelo Inep, podemos dizer que um estudante com nota 800 em uma tem uma unidade de desvio padrão acima da proficiência dos concluintes de 2009. 

Portanto, é importante entender que:

  • A nota de um participante pode assumir, na escala, qualquer valor no conjunto dos números reais; 
  • No cálculo da nota, as notas mínimas (nenhum acerto) e as notas máximas (45 acertos) dependem do grau de dificuldade da prova, ou seja, são os parâmetros que definem os valores mínimo e máximo. 

Segundo o Inep, “quando a prova é composta com muitos itens fáceis, o máximo da prova tenderá a ser mais baixo, e quando ela é composta de muitos itens difíceis, o mínimo tenderá a ser mais alto. Então, está claro que a nota mínima não é zero e a nota máxima não é 1.000. Em outras palavras, o mínimo e o máximo em cada prova dependem somente das questões que compõem a prova e não de quem as responde”. 

Cálculo da nota do Enem

A partir de pré-testagens e algumas aplicações iniciais do Enem, o Inep definiu os parâmetros e montou um banco de questões para cada área do conhecimento. Assim, ao conhecer os valores dos parâmetros, as questões são posicionadas na régua da proficiência a partir de critérios probabilísticos, “os quais garantem que somente participantes com proficiência igual ou maior que a daquele nível possuem alta probabilidade de responder corretamente às questões que estão nesse nível e em níveis inferiores.” (Inep) 

Na prática, segundo o Inep: 

  • A questão é sempre posicionada no valor da régua onde a probabilidade de acerto está próxima de 0,65, o que indica que candidatos neste nível possuem alta probabilidade de acertar a questão; 
  • Questões pedagogicamente mais fáceis são posicionadas na parte inferior da régua;
  • Questões pedagogicamente mais difíceis serão posicionadas na parte superior da régua.

Dessa forma, ao calcular a nota, a TRI considera a coerência das respostas corretas do participante. Ou seja, o esperado é que participantes que acertaram as questões difíceis devam também acertar as questões fáceis, pois entende-se que o conhecimento é adquirido de forma cumulativa e, com isso, questões mais complexas requerem o domínio de habilidades mais simples. 

Assim, é importante compreender que se um participante acerta só questões difíceis, sem acertar questões fáceis sua nota será menor do que a de um participante que acertou a mesma quantidade de questões, mas acertou as fáceis e errou as difíceis. 

Como já vimos, isso acontece pois, de acordo com o modelo da TRI utilizado no Enem, essas questões foram acertadas “no chute” (parâmetro de acerto casual). Lembre-se sempre que, entre os estudantes que tiverem o mesmo número de acertos na prova, terá a maior nota quem acertar as questões de forma mais coerente pedagogicamente.

E lembre-se, também, que mesmo que a escala de proficiência tenha sido feita com base nos concluintes de 2009, a nota dos estudantes que fazem as provas todos os anos depende só deles e do momento de cada um na prova. 

Como afirma próprio Inep, “(…) o valor 500 atribuído a esses participantes de 2009 é utilizado somente como referência para a construção e para a interpretação pedagógica da escala na qual sua proficiência (conhecimento) está representada”. 

Portanto, todas as provas do Enem são feitas a partir de questões fáceis, intermediárias e difíceis para que os participantes possam ser avaliados corretamente e com isonomia, de forma a obter a certificação da educação de jovens e adultos (EJA) ou ingressar em uma universidade.

Agora ficou mais fácil entender como a nota do Enem é calculada? Deixe seu comentário!

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