Histórias em Quadrinhos e o incentivo à leitura


Histórias em Quadrinhos

Há mais de um século, as histórias em quadrinhos encantam gerações de leitores. Desde a publicação da primeira HQ, em 1894, nos EUA, elas se popularizaram no mundo inteiro, inspiraram grandes produções do cinema e tornaram-se aliadas importantes para as atividades em sala de aula e para garantir o incentivo à leitura.

Se o assunto é o uso pedagógico das histórias em quadrinhos no ambiente escolar, vale a pena destacar que é importante superar todo e qualquer tipo de preconceito com publicações desse gênero. Muito populares entre crianças e adolescentes, as HQs podem inspirar os professores para novas possibilidades de atuação na rotina escolar. Não à toa, elas fazem parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento do MEC que estipula quais são as aprendizagens essenciais que precisam ser trabalhadas na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

Mais que incentivar à leitura, as histórias em quadrinhos podem ser instrumentos valiosos para garantir um excelente desempenho dos alunos no processo de ensino e aprendizagem. Como ocupam um lugar de destaque na rotina dos jovens leitores, as HQs aguçam a curiosidade e são essenciais para o desenvolvimento do senso crítico de crianças e adolescentes.

Para que sejam eficientes em sala de aula, as histórias em quadrinhos devem fazer parte de um planejamento bem elaborado pelos educadores. Afinal, é preciso avaliar a melhor estratégia didática com as diferentes faixas etárias, além de escolher as publicações e temas mais apropriados para os objetivos definidos pelo professor.

Histórias em Quadrinhos

Histórias em Quadrinhos em sala de aula: incentivo à leitura

Elas podem, inclusive, complementar um conceito já trabalhado pelo professor e serem o caminho ideal para promover discussões e debates necessários.

O uso das histórias em quadrinhos em sala de aula é rico em possibilidades. Dentre elas destacam-se, além do  já citado incentivo à leitura, a ampliação do repertório cultural do aluno. Uma boa dica para os professores é a leitura do livro “Como usar as Histórias em Quadrinhos na sala de aula” (Editora Contexto), de Waldomiro Vergueiro, Angela Rama, Paulo Ramos, Túlio Vilela e Alexandre Barbosa. A obra, voltada a educadores, traz nos seus seis capítulos orientações sobre como utilizar as HQs em atividades que vão do ensino fundamental ao ensino médio.

Histórias em Quadrinhos e o incentivo à leitura

A arte das Histórias em Quadrinhos

Em linhas gerais, a história em quadrinhos é a arte de narrar histórias por meio de desenhos e textos em sequência, normalmente na horizontal, que seguem os fundamentos básicos das narrativas (enredo, personagens, tempo, lugar e desfecho). As HQs normalmente utilizam linguagem verbal e não verbal.

Utilizando-se de inúmeros recursos gráficos, os quadrinistas conseguem envolver o leitor nas histórias. Os balões, característica marcante dessas publicações, podem transmitir intenções diversas.

Para entender melhor, seguem alguns exemplos: os balões em forma de nuvem, normalmente, remetem aos pensamentos. Os balões com linhas tracejadas sugerem que o personagem esteja murmurando e os de linhas contínuas evidenciam uma fala em tom normal.

Uma figura de linguagem, a onomatopeia, também é marcante nas histórias em quadrinhos. São palavras que tentam reproduzir, por exemplo, algum tipo de som. Exemplo: vrummm (simboliza o som de um carro acelerando).

Outra questão interessante é o uso de diferentes tipos de letras e dos sinais de pontuação. Tudo isso com o objetivo de buscar uma maior interação com o leitor.

 

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Histórias em Quadrinhos e o incentivo à leitura

Exemplos de utilização das Histórias em Quadrinhos em sala de aula

 

1. Facilite o acesso às Histórias em Quadrinhos

Se a sua turma tem uma biblioteca em sala de aula, faça com que os estudantes possam descobrir – por meio de busca ativa – as histórias em quadrinhos. Isso vale para livros também.

O despertar do interesse e da curiosidade é o primeiro passo para garantir o incentivo à leitura. Observe algumas dicas:

* Deixe as HQs organizadas com as capas viradas para frente ou para cima– esse primeiro contato visual é essencial para conquistar o leitor.

* A biblioteca precisa ser acessível, ou seja, estar de fato ao alcance das crianças e dos adolescentes. Observe altura, disposição dos livros e outras questões.

* No caso das crianças, tapete e almofadas confortáveis tornam o ambiente propício para uma boa leitura.

* Se não há uma biblioteca na classe, sem problemas. Basta organizar um espacinho voltado à leitura. A criatividade faz toda a diferença nessas horas.

 

2. Crie momentos de descoberta

Folhear livremente as histórias em quadrinhos é o primeiro passo para estimular a prática da leitura. Ao conferir textos e imagens, naturalmente vão surgir interesses e momentos de surpresa, interação e descontração.

Outra medida bacana é permitir que os alunos façam trocas entre eles. Essas experiências aguçam o faro dos leitores.

 

3. Estimule o desenvolvimento de novas histórias

O processo de criação de novas produções a partir da leitura das HQs é fundamental para a formação de crianças e adolescentes. O incentivo à leitura ganha força com a possibilidade de assumir o papel de protagonista de sua formação, ou seja, colocando no papel suas ideias e referências. O processo vale muito mais que o resultado. Pode apostar nisso.

Como utilizar as Histórias em Quadrinhos em diferentes disciplinas

Língua Portuguesa: análise sintática, oração subordinada e outros assuntos podem ser abordados de forma criativa por meio das HQs. Esse recurso torna mais fácil a assimilação e entendimento do conteúdo, ou seja, é recomendado para tratar de questões da fala, escrita e outros aspectos da oralidade. Também é possível, nas atividades de produção textual, sugerir a criação dos textos de quadrinhos por meio dos balões vazios, ou seja, o estudante vai avaliar o contexto, interpretar as ilustrações e elaborar suas próprias narrativas. Outra dica é deixar o último balão de uma tira sem texto para avaliar como o aluno concluiria a ideia. O passo seguinte é a análise da versão original e de um debate sobre o exercício enriquecedor.

Geografia: pode acreditar – as histórias em quadrinhos beneficiam muito o aprendizado dessa disciplina. Há recursos da Geografia que podem ser mais bem compreendidos por meio das HQs (símbolos e convenção cartográfica, além das escalas, paisagem e o espaço geográfico). É possível também avaliar questões, como os ideais capitalistas, entre outros destaques.

História: há várias publicações em quadrinhos que reconstituem fatos históricos nacionais e internacionais. Essas obras são interessantes para a compreensão desses grandes momentos e tornam o aprendizado mais interessante.

Educação artística: por meio da linguagem das histórias em quadrinhos, os estudantes podem criar seus próprios personagens e desenvolver habilidades gráficas, criando balões, quadros e onomatopeias.

Ciências (Biologia): há várias formas bacanas de trabalhar com as HQs em torno de assuntos relacionados à disciplina. Descobertas científicas e até as teorias da evolução podem ser temas trabalhados a partir da análise dessas publicações.

Matemática: por meio das histórias em quadrinhos, os alunos podem desenhar histórias explicando as operações matemáticas ou mesmo criando tramas que são desvendadas diante da solução de um problema matemático.

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As Histórias em Quadrinhos no Brasil

Além de buscar títulos diversos para os trabalhos em sala de aula, é fundamental compreender a história e o desenvolvimento das histórias em quadrinhos no Brasil. A primeira publicação em nosso país, a revista em quadrinhos “O Tico-Tico”, é de 1905.

Foram necessárias mais de cinco décadas para a publicação, em 1960, do primeiro gibi inteiramente colorido: “A Turma do Pererê”, de Ziraldo. A publicação, da Editora O Cruzeiro, valorizava personagens do folclore nacional.

Devido à censura no período da ditadura militar, “A Turma do Pererê” deixou de ser publicada em 1964 e retornou apenas em 1975. Outro destaque dos anos de 1960 é a Turma da Mônica, criação do quadrinista Mauricio de Sousa.

Os números chamam bastante atenção: são quase 500 personagens criados, quadrinhos publicados em 130 países e traduzidos para cerca de 60 idiomas. Em pouco mais de seis décadas de atividades, a Mauricio de Sousa Produções  é o ponto de partida para projetos que fizeram história no mercado das HQs no país.

Foi em 19 de julho de 1959 que Mauricio de Sousa publicou uma tira de Bidu e Franjinha na Folha da Tarde (atual jornal Folha de S. Paulo). Nesse momento, com certeza o quadrinista nem imaginava o que estava por vir. O universo da Turma da Mônica é um patrimônio cultural brasileiro e sua repercussão foi além dos gibis – leia-se inúmeros produtos licenciados, parques temáticos, espaços de lazer itinerantes, animações, aplicativos, entre outras tantas possibilidades.

Turma da Mônica: formando leitores há mais de 60 anos

Não por acaso, os quadrinhos da Turma da Mônica marcaram a experiência de muitos jovens com a leitura. Por tratar de assuntos tão diversos, como meio ambiente, inclusão e relações familiares, essas HQs tornaram-se aliadas importantes para as atividades em sala de aula. Outro aspecto fundamental diz respeito aos traços típicos da cultura brasileira, valorizados por Mauricio de Sousa em seus projetos.

Sem dúvida alguma, as histórias em quadrinhos precisam estar no radar dos educadores para o desenvolvimento de suas aulas. Recomendadas para as mais diversas disciplinas, as HQs, além de essenciais para o incentivo à leitura, aproximam os jovens leitores dos mais variados temas de forma criativa e possibilitam inúmeras interações. Experimente!

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