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Formação continuada de professores: competências essenciais para o século XXI

  • Fernanda Penteado
  • 7 meses atrás
  • Atualizada em 04/01/2019
  • 6 min. de leitura
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Com os avanços tecnológicos, as mudanças acontecem no mundo de forma cada vez mais acelerada e o mercado começa a exigir mais de seus profissionais. Hoje já não basta ter somente a competência técnica, é preciso ter competências emocionais desenvolvidas. E na educação não é diferente. Por isso, a formação continuada de professores se torna essencial.

Muito mais que uma atualização dos conhecimentos e das práticas pedagógicas, a formação continuada de professores é fundamental para o desenvolvimento de competências e habilidades do século XXI.

Segundo a UNESCO, no relatório Educação, um tesouro a descobrir, os quatro pilares da educação ao longo da vida para este século são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Com isso, algumas competências como a autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal e social tem sua importância elevada, bem como o trabalho em equipe, o pensamento crítico, a criatividade, a empatia e a capacidade de comunicar-se claramente com outro.

Nesse post vamos trazer outras competências essenciais ao profissional da educação do século XXI que são importantes para se discutir e promover durante a formação continuada de professores. Vamos ver quais são elas?

Quais são as 10 competências para ensinar?

Já sabemos que a formação continuada de professores e demais profissionais da educação tem grande importância para o desempenho do educador ao longo da rotina escolar e para a sua trajetória profissional, além da qualidade do processo de ensino e aprendizagem.

A seguir, listamos para você 10 competências essenciais para a formação continuada de professores, propostas por Philippe Perrenoud em seu  artigoFormar professores em contextos sociais em mudança 1. Vamos conferir?

1. Organizar e animar as situações de aprendizagem

É imprescindível que o professor do século XXI saiba planejar o projeto pedagógico e também organizar o plano de aula. Quando isso acontece, o resultado do processo de ensino e aprendizagem é muito mais rico.

Afinal, quando o professor se prepara e pesquisa, ele está de alguma forma se atualizando e buscando novas formas de engajar seus alunos em sala – o que ainda é um dos grandes desafios em sala de aula.

Além disso, quando há esse planejamento, é importante que o professor aprenda a olhar para os erros e desafios que surgirem, e, também, que esteja pronto para mudar alguma atividade no meio do percurso, por exemplo.

2. Gerir o progresso das aprendizagens

Perrenoud também propõe que o professor deve saber gerir o progresso das aprendizagens. Mas o que isso significa? Essa competência indica que é importante que o docente conheça seus alunos, bem como suas possibilidades de desenvolvimento e sua capacidade de evolução frente aos objetivos de aprendizagem traçados.

Ao gerir esse processo, o professor deve também administrar as situações-problema que surgem ao longo do caminho, levando em consideração as especificidades de cada um. Afinal, cada estudante é único. Cada um tem sua personalidade, sua história; cada um tem um ritmo de aprendizagem e dificuldades específicas. Por isso é imprescindível que o professor tenha essa visão e compreenda a heterogeneidade de sua turma.

3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação

Essa competência está diretamente ligada à competência 2, uma vez que ambas se referem a personalização do ensino. Aqui, quando o professor faz evoluir os dispositivos de diferenciação, ele compreende e sabe que vai trabalhar com uma turma heterogênea, com alunos diferentes uns dos outros.

Nesse sentido, Perrenoud coloca que os professores devem fornecer um apoio integrado e prestar mais atenção aos alunos que possuem grandes dificuldades, de forma a dar suporte para que eles possam se desenvolver. Além, é claro, de estimular e incentivar o trabalho em equipe entre os alunos.  

4. Envolver os alunos nas suas aprendizagens e em seu trabalho

Como já vimos em outro post, os alunos das novas gerações trazem mais desafios para a sala de aula. Eles já não enxergam mais o professor como o detentor de todo o conhecimento, visto que chegam na escola com muito conhecimento – adquirido principalmente na internet.

Então é importante que o professor instigue em seus alunos o desejo de aprender mais e que os enxergue também como protagonistas em sala de aula. Dessa forma, é importante que os estudantes participem das decisões em sala e das atividades em um papel principal, o de protagonista do seu próprio aprendizado.

Veja como montar o PPP de sua escola.

5. Trabalhar em equipe

O trabalho em equipe e o regime de trabalho colaborativo já estão previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e é uma tendência que segue também no ensino superior e no mercado de trabalho. Portanto, o desenvolvimento dessa competência vai muito além do professor saber trabalhar em equipe com outros professores de forma interdisciplinar. O professor do século XXI deve, também, incentivar seus estudantes a trabalharem e a trocarem experiências de forma coletiva.

6. Participar da gestão da escola

Outra competência apontada por Perrenoud é a necessidade do professor participar da gestão e da administração da escola. Em que sentido? Elaborando e divulgando projetos da instituição de ensino e incentivando os alunos e a comunidade escolar a participarem e se engajarem nessas atividades.

7. Informar e envolver os pais

Essa competência necessária ao professor é, também, um dos grandes desafios enfrentados nas escolas. Como se comunicar com os pais de modo a informá-los e a engajá-los na construção do saber é uma das grandes dores dos educadores.

Assim, é essencial que o professor desenvolva essa competência e traga as famílias para o ambiente escolar, conversando, informando, promovendo reuniões e eventos para que eles se engajem no processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos.

8. Servir-se de novas tecnologias

Em um mundo onde as informações atravessam o mundo em questões de segundo e em que a tecnologia está cada vez mais avançada, ignorar a sua potencialidade é um grande erro. Na educação, as opções para o uso da tecnologia são os mais variados: Realidade Aumentada, Livro Digital, Ambiente Virtual de Aprendizagem e videoaulas são alguns exemplos de tecnologias relevantes que enriquecem o processo de ensino e aprendizagem.

Portanto, é essencial que os professores se abram para essa nova possibilidade e compreendam que a tecnologia não substitui o seu trabalho, mas que é um apoio, um recurso que traz inúmeros benefícios.

9. Enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão

Outra competência citada por Perrenoud é a capacidade do professor de enfrentar os deveres e dilemas éticos de sua profissão. Ou seja, o professor deve ser capaz de prevenir a violência, de lutar contra preconceitos e de desenvolver o senso de responsabilidade, de modo a formar cidadãos protagonistas da sociedade em que vivem.

10. Gerir sua própria formação contínua

A última competência está ligada à formação continuada de professores. Nesse caso, é importante que o professor saiba gerir sua própria formação continuada e seja um agente desse sistema de desenvolvimento. Ele pode e deve ter o apoio da escola ou do Sistema de Ensino, mas é essencial que ele – por vontade própria – tenha um programa de formação estabelecido e que participe, sempre que possível, de grupos de debate, eventos, congressos e de outras atividades com seus colegas de profissão.

E aí, o que achou dessas dicas? Quais outras competências você acha importante desenvolver na formação continuada de professores? Deixe seu comentário!

 Formação continuada de professores: competências essenciais para o século XXI

[1] PERRENOUD, P. Formar professores em contextos sociais em mudança: prática reflexiva e participação crítica. Revista Brasileira de Educação, Campinas, n. 12, p. 5-21, set./dez. 1999. (Disponível online em https://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_1999/1999_34.html).

Fernanda Penteado

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