Educação Financeira — Como trabalhá-la em sala de aula?

De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), educação financeira refere-se à compreensão dos conceitos e produtos financeiros. Seu objetivo é informar, formar e orientar indivíduos e sociedades sobre valores e competências necessários para desenvolver consciência sobre o consumo, de modo a possibilitar escolhas mais assertivas. Ela é fundamental para construir um futuro mais consciente e bem-planejado, proporcionando uma estrutura financeira adequada, maior qualidade de vida e participação na economia.

Quais são os benefícios do Sistema de Ensino?

Qual é a importância de trabalhar educação financeira em sala?

Tendo em vista a importância da educação financeira, a BNCC incluiu como tema transversal das competências essenciais para o desenvolvimento dos alunos, devendo ser contemplada a partir dos componentes curriculares. As escolas e os sistemas de ensino devem abordar o tema de forma contextualizada, adaptando as especificidades de cada instituição e atendendo às competências relacionadas.

A inclusão da educação financeira no currículo escolar parte do princípio de que, quanto mais cedo um indivíduo aprender sobre finanças, maiores são as chances de adotar hábitos conscientes sobre o consumo e traçar um planejamento de vida. A longo prazo, essa estratégia permitirá que as próximas gerações tenham maior sucesso financeiro e pessoal, consequentemente impactando positivamente a economia social. Com a aprendizagem dos alunos sobre o tema, as famílias também serão influenciadas a pensar criteriosamente sobre o dinheiro e seus usos.

A educação financeira se relaciona com uma das competências gerais da BNCC, a “Trabalho e projeto de vida”, que propõe:

“Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais, apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade”.

O aspecto financeiro está atrelado diretamente à vida profissional, sendo assim, saber lidar com as finanças de modo consciente permitirá ao aluno maior autonomia sobre seus objetivos e projeto de vida, que são conquistados com seu trabalho.

Projeto de vida na escola: o que a BNCC diz sobre essa competência?

Ter hábitos conscientes de consumo permite exercer a cidadania com responsabilidade, considerando que o dinheiro envolve a premissa dos direitos e deveres dos cidadãos. Uma postura crítica diante dos recursos financeiros também estimula o consumo responsável e sustentável, de modo a preservar o meio ambiente e pensar no coletivo, visando ao futuro.

Sendo assim, a educação financeira contribui com o indivíduo e com a sociedade, envolvendo as esferas pessoal, profissional e social, já que não se trata somente de dinheiro e consumo, mas também envolve aspectos maiores e mais relevantes como um todo. Podemos citar outras três competências que envolvem a educação financeira, considerando essa reflexão, “Pensamento científico, crítico e criativo”, “Responsabilidade e cidadania” e “Argumentação”.

“Pensamento científico, crítico e criativo” envolve:

“Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas”.

A partir disso, a educação financeira estimula o pensamento crítico, pois torna o indivíduo mais consciente de suas ações, sendo que o dinheiro permeia quase todas as atividades humanas, sendo assim, ela também contribui com a habilidade de resolução de problemas.

“Responsabilidade e cidadania” requer:

“Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários”.

Assim, a educação financeira envolve todos os aspectos dessa competência, de modo indireto contribui com o coletivo e age com responsabilidade e cidadania,  tornando o indivíduo mais consciente e autônomo sobre sua conduta enquanto cidadão.

“Argumentação” diz respeito a:

Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbitos local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

A educação financeira também aborda as competências socioemocionais, que são essenciais em qualquer aspecto da vida humana e estão presentes em todas as competências gerais da BNCC. As competências socioemocionais dizem respeito ao comportamento, às relações humanas, que permitem a convivência social satisfatória, e aos aspectos emocionais no âmbito individual. Elas contribuem também para as atividades cognitivas e acadêmicas, visto que saber lidar com as emoções permite maior desempenho nas tarefas e estabelecer boas relações no contexto social ajuda no desenvolvimento.

A educação socioemocional envolve cinco características que interagem com a educação financeira: autoconsciência, autogestão, consciência social, habilidades relacionais e tomada de decisão responsável. Sendo assim, ter uma boa relação com o âmbito financeiro ajuda a desenvolver as competências socioemocionais, devido a impactar nos aspectos emocional, social e profissional.

De modo geral, proporcionar a educação financeira na Educação Básica atende os objetivos dos novos modelos educacionais, que, além de abordar as aprendizagens cognitiva e acadêmica, se propõem a uma formação integral do ser humano em todas as esferas da vida.

Como trabalhar a educação financeira em sala de aula?

A educação financeira está inserida nos componentes curriculares da Matemática e deve ser abordada com os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, do quinto ao nono ano. O letramento matemático configura as competências e habilidades de raciocínio, representação, comunicação e argumentação, que proporcionam o estabelecimento de hipóteses para resolução de problemas em diversos contextos. É necessário devido à sua ampla aplicação na sociedade contemporânea, com suas potencialidades na formação de cidadãos críticos e cientes de suas responsabilidades sociais.

Educação Financeira: 5º ano — Ensino Fundamental

A partir do quinto ano do Ensino Fundamental, a educação financeira está presente na unidade temática dos números, e seus objetos de conhecimento se referem ao cálculo de porcentagens e à representação fracionária.

As habilidades necessárias são descritas da seguinte forma:

(EF05MA06) Associar as representações 10%, 25%, 50%, 75% e 100% respectivamente à décima parte, quarta parte, metade, três quartos e um inteiro, para calcular porcentagens, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, em contextos de educação financeira, entre outros.

6º ano — Ensino Fundamental

Nessa etapa, a educação financeira também se encontra na unidade temática dos números, e seus objetos de conhecimento são cálculos de porcentagens por meio de estratégias diversas, sem fazer uso da “regra de três”.

As habilidades envolvidas são:

(EF06MA13) Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, com base na ideia de proporcionalidade, sem fazer uso da “regra de três”, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, em contextos de educação financeira, entre outros.

Educação Financeira: 7º ano — Ensino Fundamental

Ainda na unidade temática dos números, nessa fase os objetos de conhecimento abordam cálculo de porcentagens e de acréscimos e decréscimos simples, e a educação financeira aparece entre as seguintes habilidades:

(EF07MA02) Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, como os que lidam com acréscimos e decréscimos simples, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, no contexto de educação financeira, entre outros.

8º ano — Ensino Fundamental

Para essa etapa do ensino, não aparece no documento a educação financeira explicitamente citada, entretanto, considerando a unidade temática dos números, como ocorre nos outros anos do Ensino Fundamental, podemos considerar como objetos de conhecimento as porcentagens, propondo as seguintes habilidades:

(EF08MA04) Resolver e elaborar problemas, envolvendo cálculo de porcentagens, incluindo o uso de tecnologias digitais.

Educação Financeira: 9º ano — Ensino Fundamental

Na unidade temática dos números, os objetos de conhecimento nesse ano são porcentagens, abordando problemas que envolvem cálculo de percentuais sucessivos.

As habilidades necessárias para trabalhar a educação financeira são:

(EF09MA05) Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, com a ideia de aplicação de percentuais sucessivos e a determinação das taxas percentuais, preferencialmente com o uso de tecnologias digitais, no contexto da educação financeira.

Apesar de a educação financeira aparecer explicitamente citada somente nos componentes curriculares dos anos finais do Ensino Fundamental, ela pode ser trabalhada em outros anos, dentro da Matemática, cabendo às escolas aplicarem o tema transversalmente e de forma integrada e contextualizada.

Quais são os benefícios do Sistema de Ensino?

Educação Financeira na Prática

Os sistemas de ensino e as escolas podem elaborar projetos para trabalhar a educação financeira, além de abordá-la nas unidades temáticas, como vimos anteriormente.

A BNCC apresenta um projeto como exemplo, para exemplificar como pode ser feito na sua escola e a ser adaptado conforme o contexto e as necessidades de sua instituição, adequando-se aos seus alunos. O projeto intitulado “Empreender para compreender: educação financeira na prática” foi elaborado para o quarto ano do Ensino Fundamental, com o objetivo de estimular atitudes conscientes e uma relação saudável com o dinheiro, de modo a levar esse conhecimento às famílias.

A ideia é criar um negócio no ramo do comércio para vender os produtos escolhidos pelos alunos, utilizando dinheiro falso (de brinquedo), o que os leva a vivenciar na prática como funciona a dinâmica financeira. Eles podem criar um bazar com roupas, brinquedos e acessórios que não usam mais, confeccionar objetos decorativos com materiais reciclados, preparar lanches para vender, entre outros. Segundo a proposta do projeto, os alunos ficam responsáveis por todo o processo, incluindo criação, organização, atribuição de preços, recebimento e gerenciamento do faturamento.

Veja alguns aspectos importantes que a BNCC recomenda que devem ser considerados quanto à aplicação desse projeto na sua escola:

  • O protagonismo dos alunos na decisão sobre quais produtos comercializar é fundamental nesta atividade, por serem eles mesmos os potenciais consumidores.
  • A vivência do “negócio” implica aprendizagens significativas e contextualizadas que, de outra forma, poderiam se perder com facilidade. Empreender, nesse contexto, significa “envolver-se” na aprendizagem necessária para o sucesso do empreendimento.
  • Professores que utilizarem esta proposta como inspiração para desenvolver o próprio projeto devem ter certeza de que estarão proporcionando aos alunos uma ocasião para se tornarem protagonistas de sua aprendizagem, cidadãos conscientes das próprias atitudes e disseminadores desses ideais dentro de casa e da comunidade.

Educação Financeira

Educação financeira no SAE Digital

O SAE Digital aborda a educação financeira em seus materiais didáticos a partir da ideia do consumo consciente. Tendo em vista que o conhecimento matemático tem como objetivos a compreensão e o uso dos conteúdos relevantes na resolução de problemas, o material do SAE apresenta os conteúdos relevantes da área de Matemática relacionados à resolução de problemas na vida cotidiana e à aplicação desses saberes nos desafios próprios do mundo escolar. A proposta de trabalho leva em conta a capacidade intelectual, a estruturação do pensamento e o desenvolvimento do raciocínio lógico dos alunos, reforçando que não há como desassociar um aspecto do outro.

O material do SAE Digital propõe um trabalho pelo qual ensinar e aprender Matemática não se limite a dar respostas, mas sim a propor investigações, respeitar as ideias e o conhecimento prévio de cada aluno, possibilitando desenvolver a vontade de estudar os conteúdos da área. O consumo consciente é integrado e contextualizado às disciplinas, e nos livros há um ícone que indica o desenvolvimento da educação para o consumo consciente naquele tema ou atividade, de acordo com a BNCC.

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O SAE Digital entende a importância da educação financeira nas escolas, por isso incluímos o tema em nossos materiais de modo adequado e com estratégias de aprendizagem eficientes.

Quer trabalhar a educação financeira na sua escola de forma eficiente? Fale com um dos nossos assessores e conheça nossos materiais!

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